quarta-feira, 14 de junho de 2017

O poder da gratidão

O ato de pedir está para o ser humano como a água está para o rio. Um não existe sem o outro. 
Se existimos, e principalmente se acreditamos em Deus, é fato que vamos pedir algumas coisas a esse Pai misericordioso. Pedimos proteção, pedimos saúde, pedimos incontáveis bençãos, pedimos pelo que nos falta. Mas poucas vezes agradecemos pelo que nos sobra. 
Este é um defeito da nossa espécie: a falta de gratidão. E essa falta de gratidão vem, em partes, da nossa dificuldade de olhar para dentro e descobrir o quanto somos ricos e agraciados por inúmeras dádivas que nos passam desapercebidas no dia a dia. 
Eu achava que eu era uma pessoa grata, com cinco estrelinhas no boletim da gratidão. Mas a realidade é que eu me descobri quase cega e ingrata diante de tantas bençãos que eu tenho na vida. A impressão que tenho hoje é que eu foquei tanta energia no que me falta que deixei de perceber (e sobretudo de agradecer) pelas bençãos que me sobram. 
Essas fichas caíram quando comecei a ler o livro "A Magia" da autora Rhonda Byrne, que me foi recomendado pela amiga Gigi . Este livro é bem fácil de ler e está dividido em 28 capítulos, cada qual com uma determinada tarefa. À medida que a leitura avança, vamos notando a transformação em nosso olhar, e passamos a nos sentir gratos pelo simples fato de acordar pela manhã, por haver água na torneira, pelo companheiro (a), pela pessoa que preparou o nosso alimento, pelo dinheiro que ganhamos na vida. 
A tônica do livro é a seguinte: quando mais grata você for por determinada coisa (ou pessoa, sentimento etc), mais vai atrair isso para sua vida. A gratidão funciona como um passaporte para acessar mais de tudo pelo qual nos sentimos gratas. 
Em certos pontos, acho que existe um certo exagero da autora porque nem tudo é mágica. Mas uma coisa pra mim é fato: um olhar de gratidão por tudo e todos é capaz de transformar sentimentos reativos em sentimentos positivos. E nessa energia eu coloco muita fé!
Leia o livro. Te fará muito bem!
E obrigada por existir e ler essa postagem ;)

"Reflita sobre as bençãos do presente, que todos os homens possuem em abundância, não sobre os infortúnios do passado, que todos os homens possuem em alguma medida"

 ~ Charles Dickens



segunda-feira, 5 de junho de 2017

Dicionário analógico

De uns dias pra cá tenho me questionado sobre o uso de um objeto que me acompanhou na busca de muitos significados: o dicionário. 
Não me refiro ao dicionário online, nem mesmo aos conhecidos (e encantadores) tradutores online com microfone e áudio; me refiro ao bom e velho dicionário de papel, daqueles que nos forçam a nos lembrar da ordem alfabética para encontrar as palavras e seus significados. 
O que tem acontecido comigo, e provavelmente com você também, é uma rendição à facilidade de buscar o significado de uma palavra online. 
Convenhamos: é bem mais fácil fazer uma busca online do que ter que andar pela casa, encontrar o dicionário, abri-lo, procurar a palavra e às vezes ter que repassar o alfabeto mentalmente para saber se tal letra vem antes ou depois de tal letra. Dá preguiça só de pensar. 
Em contrapartida, se eu considero difícil procurar o dicionário pela casa e usá-lo, isso faz de mim - em meu próprio julgamento - um ser humano imprestável, ou no mínimo, desconhecedor do que é difícil de fato. 
É esse o papel da tecnologia? Facilitar a vida? 
Em partes, sim. 
Mas o que acontece conosco quando começamos a achar que o simples é difícil?
Facilidade demais pode ser fatal.
Enquanto elucubro, o velho dicionário - o rei dos significados - vai tendo o seu próprio significado repaginado... Quem diria!


sexta-feira, 26 de maio de 2017

Casa Cor 2017

O passar dos dias se tornou muito suave por aqui. A normalidade da vida, composta não só de lutas, mas também de pequenas vitórias, se restabeleceu. 
Voltei a sentir pequenas e grandes alegrias e a consequência direta dessa reabertura da alma para o mundo é a capacidade de enxergar a beleza na natureza, nos relacionamentos e aonde o olhar caminhar. 
E dias atrás meu olhar caminhou pelos ambientes da Casa Cor. 
Essa é uma das minhas mostras favoritas porque expõe ao mesmo tempo a criatividade dos arquitetos e a inovação dos materiais. Fiquei impressionada com o uso intensivo do mármore como objeto decorativo, revestindo paredes inteiras e servindo inclusive de ponto focal em diversos ambientes. O uso da madeira também marcou presença na Casa Cor, reforçando a versatilidade desse material tão belo e ainda abundante na natureza. 
Por falar em natureza, começo nosso tour com um living lindo em que o painel de floresta tropical marca presença. 



 Madeira, tons claros e muito aconchego neste ambiente:



Já neste living com sala de jantar, um lustre em formato de rede de peixe com cristais pendurados roubou a cena. No fundo, mais mármore. No geral, modernidade!

Nesta sala de jantar a Itália invadiu o Brasil com excesso de informações e muita pompa. 
Essa cozinha charmosa e pé no chão me encantou!

Hall com muito mármore:
E por fim um jardim gracioso com arbustos de diversos tamanhos e alturas. 

Não falei?
Meus olhos caminharam por ambientes muito bonitos. 
Espero que os seus também o façam!


terça-feira, 23 de maio de 2017

Quando uma segunda opinião médica faz sentido

Quem precisa de ajuda médica para engravidar deve ter muita confiança no profissional de reprodução assistida. Em partes, é o trabalho dele* que vai determinar o sucesso do procedimento. É o diagnóstico desse profissional que vai ditar os medicamentos de indução, é o olho dele que vai implantar os embriões no útero da futura mãe, em suma: é o cuidado dele que vai ajudar a possibilitar uma gestação. 
Mas e quando você tenta uma vez, duas, três vezes com o mesmo profissional e o positivo não vêm?
Aí a confiança rui...
E talvez seja a hora de procurar uma segunda opinião. 
O rompimento com o médico não é fácil, e digo isso com conhecimento de causa. Meu esposo me pediu para que procurássemos um outro médico depois da terceira tentativa frustrada de FIV. Relutei, mesmo porque ainda temos dois blastocistos congelados, mas ele me apontou uma série de razões para buscarmos este outro profissional, sendo uma delas o meio de cultura melhor do novo laboratório. E a outra razão é muito simples: não dá pra alcançar um resultado diferente tentando sempre a mesma coisa. Algo tem que mudar. E neste caso, é o médico. 
E lá vamos nós do interior para São Paulo. 
Todo o processo com esse novo médico está sendo diferente, a começar pelos exames que a equipe dele nos solicitou antes da primeira consulta. Estamos sendo "scaneados" de cima embaixo com uma série de exames de sangue, exames de DNA celular, no meu caso, exames ginecológicos, histerossalpingografia, colposcopia, vulvoscopia e por aí vai. Alguns exames são tão complexos que demoram 25 dias para ficarem prontos (exemplo cariótipo com banda G e fosfatidilserina). A lista do maridão é extensa, mas em comparação à minha lista de exames, é pequena. 
Hoje vejo hoje que o antigo médico errou ao não me examinar mais a fundo. O que aconteceu foi o seguinte: o espermograma do meu marido não estava bom e o médico decidiu que este era o único problema. Mas depois do tratamento de uma infecção assintomática nos testículos, o espermograma dele voltou ao normal e eu nada de engravidar! Tive 2 abortos nessas 3 FIVs. O embrião se fixava, o saco gestacional se formava mas depois de alguns dias, parava de se desenvolver. Foi então que o médico decidiu investigar meu útero. Tarde, né amigão?
Meu esposo já estava farto de tentativas e acertos que quis partir para um médico diferente, que fizesse uma investigação mais diligente e me acompanhasse atentamente depois da implantação dos embriões, já que numa outra hipótese, não estou absorvendo a progesterona do utrogestan. 
Hipóteses à parte, o que temos de fato é esperança num diagnóstico mais assertivo e num médico que pode nos conduzir aos nossos tão sonhados filhinhos. 

*Dele ou dela, usei o gênero masculino porque o profissional que procuramos é um homem, mas há mulheres incríveis na área de reprodução assistida. 

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Contar ou não contar; eis a questão!

A decisão de falar com amigos e familiares sobre um tratamento para engravidar é muito pessoal. Há quem precise desabafar para segurar o tranco, há quem prefira manter todos os procedimentos em sigilo. 
Já passamos por três tentativas, e em cada uma, tive uma conduta diferente no que se refere a compartilhar (ou não) aquele momento. Pelo meu esposo, teríamos uma única conduta: a de não contar a absolutamente ninguém. Mas eu provavelmente adoeceria se não pudesse desabafar com algumas pessoas, além dele, claro. Então na primeira FIV, contei para minha mãe, irmão, para a mãe dele e irmãs dele. Todos na torcida, todos em oração desde a primeira injeção. E todos decepcionados quando não deu certo. 
Senti o peso da frustração coletiva nos meus ombros. Já era difícil aguentar a minha própria frustração, pior ainda foi aguentar o desapontamento dos nossos familiares. Meu esposo bem que avisou... Mas eu preferi ter todos a bordo nesse sonho, e paguei um preço alto por isso. 
Na segunda tentativa, fui bem mais seletiva na escolha dos confidentes e contei somente para minha mãe e irmão, mesmo porque eu precisaria da ajuda deles em algumas tarefas domésticas que eu não poderia realizar em função do repouso. Quando veio o negativo, sofri menos. Depois de algum tempo, contei para a minha sogra que tínhamos tentado novamente, mas não deu certo. 
Na terceira tentativa, contei novamente para minha mãe e irmão, mas dessa vez o tratamento vazou para outros familiares e eu fiquei arrasada. Não queria que mais pessoas soubessem o que estamos enfrentando, parte por vergonha da situação, parte por receio de atrair energias que não fossem puramente positivas. 
Sofri horrores com essa "traição da confiança", e num primeiro momento culpei os delatores. Mas depois de refletir, concluí que a culpa foi toda minha. A partir do momento que se conta algo a alguém, perde-se o domínio da situação. Aquela luta íntima passa a ser domínio público e isso geralmente não é bom. 
Foi bem doído aprender essa lição, mas foi de suma importância para mim, para toda a minha vida. Finalmente compreendi que algumas situações são tão íntimas do casal que não competem absolutamente a mais ninguém. O tratamento para engravidar é uma delas. E sei que outras situações aparecerão, e vão demandar muito controle emocional da minha parte, mas terei que lidar com elas no silêncio da minha razão. 
Não é por menos que comecei a terapia ontem... Esse assunto apareceu na sessão e fui me dando conta que muito da vergonha que sinto por não conseguir engravidar, é na verdade a vergonha de ter sido traída nas vezes em que desabafei a alguém, e esse alguém passou a informação para frente. E passei a me sentir uma fratura exposta - e envergonhada. 
O maridão estava certo desde o começo... Este tratamento é só meu e dele. 
E agora da terapeuta - senão eu explodo. 
Estamos ainda distantes de tentar novamente, mas já me sinto em paz por enfrentar essa luta ao lado do homem que eu amo, só eu e ele. E Deus lá em cima, abrindo portas e cuidando de nós. 
Você já teve alguma situação em que se questionou sobre contar ou não aos outros?

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Sobrevivi!

Em meados de abril, implantei três embriões que estavam congelados. Essa foi a minha primeira TEC, oriunda da segunda FIV. 
Não escolhemos o mês de abril por nenhum motivo específico, simplesmente sentimos que era a hora de tentar novamente e daí partimos para a preparação do endométrio, implantação, repouso e espera... 
E no decorrer do repouso, me dei conta que faria o exame do beta dias antes do dia das mães, então no meu coração esperançoso, esse 14 de maio de 2017 seria, oficialmente, o meu primeiro dia das mães. 
#SQN
O beta e a progesterona vieram baixos e, um dia após o exame, a monstra desceu. Resumo da ópera: passei o dia das mães menstruada e muito triste. 
Meu maior consolo foi poder celebrar o dia das mães com minha mãe e minha sogra, ambas cheias de vida e saúde. Eu nem sei que seria de mim sem o carinho (e o apoio) dessas duas criaturas.
O almoço das famílias minha e do meu esposo se estendeu até o final da tarde, e durante este tempo, eu consegui não pensar na minha própria condição de quase mãe. 
O decorrer do dia foi anestesiando a minha dor e a frustração foi dando espaço a aceitação. Aceitar que tenho 35 anos e estou tentando engravidar há quase 2 anos...
 Aceitar que não tenho controle sobre absolutamente nada, tenho só a ilusão do controle...
 Aceitar que é devagar que vai dando certo...
Aceitar que Deus quer o melhor para seus filhos. 
É uma caminhada e tanto essa de aceitar o status quo. E para me ajudar, vou voltar às seções de terapia. Me fará um bem enorme poder esvaziar esse emaranhado de emoções e limpar a vista.
Nosso futuro agradeçe!

sábado, 13 de maio de 2017